terça-feira, 12 de agosto de 2008

Três horas de vôo...


Ei, mãe, seu menino tá precisando de colo;
Ontem, sua voz no telefone me pareceu triste:
Isso me corta o coração...

Colo de filho também ajuda.

Desculpe-me se acabo sendo muito justo;
Tem coisas que a gente não consegue mudar,
Mesmo tentando...
Não deixei de ser menino.


Andei olhando passagens;
Difícil suportar tanta saudade:
Quando papai some, desconfio que há algo errado...
E eu muito pouco posso fazer.

A Geo não me ligou;
Estou tão distante que acabo esquecido?
Fica aquela sensação terrível de barco ancoradouro...
Hoje vocês comemoram o níver do Davi (e eu aqui).

Também sou homem:
Por trás dessa fortaleza há sentimento...
Não quero pensar nem falar;
Deixo o sensível silêncio.

O bem e o mal, para mim,
Hão de ser igual.
Eu sei que todos podem suportar uma dor;
Exceto quem a sente.

Não é indiferença;
Nem é heroísmo;
“Não, eu não lamento nada”...
É uma dose de realidade.

Talvez, três horas de vôo me resolvam.


Belo Horizonte, 12 de Agosto de 2008.




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