sexta-feira, 13 de março de 2009

Carta para um deputado federal...


Quando um rio corta, corta-se de vez o discurso-rio de água que ele fazia; cortado, a água se quebra em pedaços, em poços de água, em água paralítica.

Em situação de poço, a água equivale a uma palavra em situação dicionária: isolada, estanque no poço dela mesma.

E porque (está) assim estanque, estancada; e mais: porque assim estancada, muda (silenciosa), e muda porque com nenhuma se comunica; porque cortou-se a sintaxe desse rio, o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio, chega raramente a se reatar de vez; um rio precisa de muito fio de água para refazer o fio antigo que o fez.

Salvo a grandiloquência de uma cheia, lhe impondo interina outra linguagem, um rio precisa de muita água em fios, para que todos os poços se enfrasem: se reatando, de um para outro poço, em frases curtas, então frase e frase.

Até a sentença-rio do discurso único em que se tem voz a seca ele combate.

(Heráclito)

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Li esse texto hoje; não o conhecia!

Essa analogia entre a palavra isolada como uma parte de um rio e o rio como sendo todo um discurso é fantástica!

E nós, humanos que somos, com nossas limitações e com o nosso ouvido seletivo, que só ouve e atenta a uma parte do rio, mas não a ele todo, acabamos guardando pedaços de rios, mas nunca o rio todo.

Por isso que se faz necessário ler o rio (discurso) várias e várias vezes, até que todo o rio seja uno, sem divisões.


Alia jacta est!


;)

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi!!!
Tenha uma semana abençoada...
:*

http://www.youtube.com/watch?v=JtWxKOC7328