A pequena morte.
Não nos provoca o riso o amor, quando chega ao mais profundo de sua viagem (nem) ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa; e, pensando bem, não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói.
Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço que, ao quebrar-nos, faz por juntar-nos e, perdendo-nos, faz por encontrar-nos, e, acabando conosco, nos principia.
Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar, nos nasce.
(Eduardo Galeano, O Livro dos Abraços, página 95)
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
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