"Já disse que não apenas não sou culpado desses crimes, como não cometi crime algum em toda a minha vida: jamais roubei, matei ou derramei uma gota de sangue; lutei contra o crime, lutei até com o meu próprio sacrifício para eliminar os crimes que a lei e a igreja admitem e santificam. Isto é o que queria dizer.
Não desejaria para um cão, nem para uma serpente, nem para a criatura mais miserável e infeliz da terra, o que eu tenho de sofrer por crimes dos quais sou inocente. Porém, minha convicção é outra: sofri por culpas que tenho efetivamente.
Sofri por ser radical; e de fato sou um radical; sofri por ser italiano, e, de fato, sou italiano; sofri mais por minha família e pelas pessoas que me são queridas do que por mim mesmo; porém, estou tão convencido de que estou com a razão e que se você tivesse o poder de matar-me duas vezes e eu pudesse nascer duas vezes, voltaria a viver para fazer de novo exatamente o que fiz até agora. Terminei. Muito Obrigado"
Esse depoimento é o depoimento de Bartolomeu Vanzetti, um italiano que foi condenado a morte, nos USA, por um crime que não cometeu; foi um bode expiatório que acharam para dar resposta a um assalto, à época da grande crise da década de 20, como uma prova das teorias xenófobas contra os italianos e anarquistas, no pós primeira guerra. O lindo dele é dizer que ele sofreu pelo o que ele era e que passaria por tudo aquilo, novamente, porque importava ser o que ele, de fato, era.
Se sofremos pelas escolhas que fizemos, não podemos reclamar; escolhemos e a escolha está feita... Somos aquilo que queremos ser; somos e temos que ser felizes pelas escolhas que fazemos... Se pudesse, erraria tudo outra vez... Somos a soma dos erros e acertos... Somos aquilo que Deus permitiu que nos tornássemos.
Por oportuno, trago à baila um ditado anarquista: "Quem quer que seja que ponhas as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano". Me nego ser usurpado e vilipendiado, mas, acima de tudo, me nego ser usurpador, porque a LIBERDADE é direito inalienável e inegociável.
Sem o mais...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
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